De Granma, Livia Rodriguez Delis, 21 de Abril de 2015
No
primeiro turno das eleições parciais para escolher os delegados às Assembleias Municipais do Poder Popular participaram
88,30% dos eleitores
Os cubanos protagonizaram, em 19 de abril, outro
acontecimento digno de sua história. Mais de 7,5 milhões de cubanos
(7.553.000) exerceram seu direito ao sufrágio, para reafirmar seu
compromisso com o futuro de Cuba, o que representa 88,30% dos inscritos,
em um dia de comemoração do 54º aniversário da vitória do povo sobre
tropas mercenárias que invadiram Cuba pela Baía dos Porcos, em 1961,
enviadas dos Estados Unidos.
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De fato, essas eleições convocam os cubanos a tornar
patente seu apoio à Revolução e aos novos programas que se executam na
Ilha, com o fim de desenvolver de maneira mais eficiente a sociedade.
Em um encontro com a imprensa, a presidente da Comissão Eleitoral
Nacional (CNE), Alina Balseiro, expressou que foi uma jornada árdua, com
as urnas acompanhadas dos símbolos da Pátria e cuidadas por crianças
pioneiras.
Como resultado preliminar, a funcionária explicou que a qualidade do
voto se comportou de maneira satisfatória, pois houve 90% de votos
válidos, a porcentagem de votos em branco foi de 4,54% e anulados 4,92%.
A presidente do CNE destacou que foram eleitos 11.425 delegados
(vereadores) e que em 1.164 circunscrições deverá ocorrer um segundo
turno, no próximo domingo 26 de abril — processo para o qual já se
efetuam os trabalhos correspondentes — pois nenhum dos candidatos dessa
instância conseguiu mais de 50% dos votos.
Detalhou que do total dos delegados ou vereadores eleitos, cresceu a
presença feminina, com 34,87% e o número de jovens, com 14,95%, bem como
a porcentagem de delegados ratificados em seu cargo, que foi de 54,87%.
Alina Balseiro continuou destacando que 59,24% dos eleitos para
ocupar cargos nas Assembleias ou governos Municipais do Poder Popular
são militantes do Partido Comunista de Cuba, “o que demonstra que a
integração política não é uma condição para ser eleito vereador”. Por
seu lado, a porcentagem de militantes da União dos Jovens Comunistas
eleitos é de só 6,75%.
Para a realização das eleições foram instalados mais de 24.600
colégios eleitorais, nos quais marcaram presença mais de 20 mil jovens,
os quais atuaram como observadores, especialmente durante o momento da
contagem pública dos votos, junto a moradores da comunidade, elementos
das organizações de massa e todas aquelas pessoas que desejaram estar
presente na hora do escrutínio.
A funcionária deu alguns outros detalhes interessantes acerca destas
eleições cubanas, como a questão do voto, que é voluntário e secreto.
“As autoridades eleitorais percorreram os colégios de forma a garantir a
transparência e legalidade do processo e para isso contaram com todos
os recursos possíveis”.
Apesar das medidas organizativas prévias, a presidente do CEN
mencionou algumas dificuldades que se apresentaram, como cortes de
eletricidade em vários colégios e chuvas intensas em determinadas zonas
da região central do país, as quais, apesar disso, não puderam impedir o
curso normal da jornada.
Dentro das particularidades que caracterizaram estas eleições
destaque para a situação criada pelas novas regulamentações migratórias,
por conta das quais milhares de pessoas se encontram de visita
temporária no exterior e seus nomes aparecem nos registros eleitorais, o
qual teve certa incidência na porcentagem de ausência às urnas.
A funcionária fez um reconto de todo o processo prévio, que culminou
nas eleições, a partir da convocatória, feita em 5 de janeiro, pelo
Conselho de Estado, para escolher os delegados a ser eleitos para as
Assembleias ou Governos Municipais do Poder Popular, cujo ponto
principal foi a indicação dos candidatos por parte do povo.
UM VOTO PELO FUTURO
Após votar e exercer seu direito ao sufrágio, o primeiro
vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel
Díaz-Canel Bermúdez, disse que era uma responsabilidade eleger o mais
capaz, para que ele possa conduzir o trabalho em uma comunidade.
Argumentou que é um direito dos cidadãos, mas também um dever e uma
responsabilidade, nesta época em que os cubanos estão vivendo momentos
muito significativos e simbólicos da Revolução, que são momentos de
vitória.
Por outro lado, em declarações à imprensa, o presidente da Assembleia
Nacional do Poder Popular (ANPP), Esteban Lazo Hernández,
explicou que dentro do sistema político da Ilha maior das Antilhas, o
delegado é o elo principal, qualificando-o como um elemento
decisivo em todos os avanços que estão tendo lugar.
“As eleições de hoje têm um caráter muito importante (...) efetuam-se
em um momento muito particular de nossa Pátria, é preciso ver isso
vinculado a tudo aquilo que estamos fazendo na atualização do modelo
econômico e na reestruturação do país”.
“O delegado ou vereador é muito mais do que resolver um problema,
isso ainda está dentro de suas funções, mas ele representa a máxima
autoridade de nosso sistema político, que é a autoridade na base, na
circunscrição (...)”.
O presidente da Assembleia Nacional pôs em destaque que o processo se
realiza em meio de mudanças, como a experiência que está sendo
implementada nas províncias de Artemisa e Mayabeque, a qual procura
separar as funções da Assembleia da dos Conselhos da Administração.
Depois de mais de 16 anos de injusta prisão, por lutarem contra o
terrorismo, pela primeira vez tornaram efetivo seu direito a votar os
Cinco Heróis da República de Cuba, Antonio Guerrero, René González,
Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Fernando González.
Antonio Guerrero expressou que as eleições cubanas eram uma das
atividades mais belas e importantes que ele já realizou, porque — arguiu
— se trata de demonstrar o amor à Revolução, de demonstrar a unidade de
nosso povo e o apoio ao nosso sistema eleitoral democrático.
“Retornar a este espírito eleitoral — em um dia como hoje, quando
teve lugar a vitória em Baía dos Porcos — e percebendo o entusiasmo e a
organização que há em cada um dos colégios, isso nos dá muita alegria e
a certeza de que esta será outra vitória de nosso povo”, afirmou
Guerrero.
“O povo cubano está consciente do que representa exercer seu voto.
Tenho certeza de que haverá uma resposta positiva e de que
demonstraremos, mais uma vez ao mundo, por quê a Revolução existe, após
mais de 56 anos de agressões”.
Empolgado, Ramón Labañino confessou: “Esta é a primeira vez que os
Cinco votamos... Depois de tantas coisas que aconteceram em nossa
história, tivemos a oportunidade de exercer uma das coisas mais bonitas
que tem nosso sistema, que é a democracia revolucionária, a democracia
socialista e (...) podemos desfrutar o que é o voto democrático real,
onde se escolhem os candidatos em cada bairro e não existe o dinheiro,
não existe a propaganda imperialista, não existe nada disso e, portanto,
é um momento muito bonito que desfrutamos com todo nosso povo”.
Após destacar o processo democrático cubano, Gerardo Hernández
referiu-se à vitória obtida recentemente no Panamá, “onde ficou
demonstrado, mais uma vez, que nós estamos do lado correto da história,
pois é o inimigo que começa a retificar. Nós não temos mudado nada,
estamos defendendo os mesmos princípios que em 1959, mantemos as mesmas
ideias da época em que começaram a tentar isolar Cuba. Já estamos de
volta na comunidade e isso deixa bem claro quem estava enganado”.
Quanto aos projetos de trabalho para o futuro, Gerardo afirmou à
imprensa que “nossa missão sempre será servir ao povo de Cuba, no lugar
que seja necessário. Somos soldados e estamos esperando a próxima ordem.
Neste momento, estamos fazendo algumas visitas para agradecer, de algum
modo, tanto carinho recebido durante os anos de encerro”.
Entretanto, René González manifestou sua intensa alegria depois de 25
anos sem ter votado em cuba e significou que o processo eleitoral na
Ilha é caracterizado porque o povo propõe e elege os melhores para
exercer o governo.
Não há melhor homenagem a uma data tão importante para
Cuba que a participação em massa nas urnas, pois nestas eleições o povo
participou em defesa do futuro da Pátria.
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